terça-feira, 5 de junho de 2012

Plantio em florestas nativas pode render mais que pecuária


Sabrina Bevilacqua

 
Recuperar áreas desmatadas em São Paulo antes ocupadas pela Mata Atlântica com o plantio de espécies nativas e exóticas pode ser mais rentável do que a atividade pecuária, afirma o diretor-executivo do International Institute for Sustainability (IIS), Bernardo Strassburg. A ideia é que o produtor ganhe com recuperação do solo, venda de árvores e no recebimento por serviços ambientais. Ele explica que estão em desenvolvimento modelos de instalação, produção e comércio para seringueira e palmeira-jussara.
 
Segundo Strassburg, a intenção é que as espécies possam ser consideradas modelo desse tipo de atividade, que une produção e conservação, pois ambas têm plantio difundido pelo País e podem continuar sendo lucrativas se misturadas com outras espécies da Mata Atlântica.
 
O plantio convencional da seringueira rende uma média de R$ 4.500,00 por hectare por ano. Com a pecuária, a média é de R$ 100,00 por hectare por ano. "Temos de ver agora que impacto o plantio da seringueira em florestas nativas tem nesse rendimento", diz. Especialistas afirmam que a rentabilidade da seringueira em locais de mata nativa pode chegar a ser a mesma de uma plantação convencional. "Mesmo que caia pela metade ainda é maior do que a da pecuária."

O objetivo é juntar esforços para promover a utilização de florestas nativas para fins comerciais, para que ela seja vista pelos produtores rurais como uma solução rentável, não um problema. Entretanto, especialistas apontam que o desafio principal para o desenvolvimento de um plano de implantação de florestas nativas com fins econômicos é acabar com o gargalo na instalação das florestas, pois mercado para comercializar os produtos já existe.

"Regenerar florestas sai mais caro do que implantar qualquer outro tipo de atividade rural", afirma a representante do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais, Maria José Zákia. O preço para a restauração varia de R$ 4.000,00 a R$ 14.000,00 por hectare. O do plantio de eucalipto, por exemplo, é de cerca de R$ 2.500,00 por hectare.

Para Maria, primeiro é necessário investir em tecnologia, metodologia e acesso à informação. "Quem quer plantar eucalipto tem informação fácil. Silvicultura de nativa não pode ser algo só para especialista." Ela diz que o conhecimento sobre essas culturas evitaria o desperdício de recursos. "Quem gastou R$ 14.000,00 para recuperar um hectare com espécie nativa o fez da maneira errada." Para ela, com a disseminação do conhecimento e uso tecnologias mais modernas, é possível reduzir o custo com o plantio de nativas para algo em torno de R$ 4.000,00.

Serviços Ambientais - Mesmo com uma possível redução no custo de implantação das florestas nativas, os valores iniciais continuam sendo elevados. "Nesse primeiro momento, o pagamento de serviços ambientais pode ajudar", diz Maria José.

Segundo Strassburg, cálculos iniciais apontam que, em 2020, o mercado de carbono deverá pagar U$ 25 por tonelada de CO2. Ele afirma que o valor seria suficiente para bancar o custo de restauração da floresta nativa e ainda gerar algum lucro para o proprietário da terra.

Strassburg ressalta que o Brasil, em particular o Estado de São Paulo, tem bastante potencial para crescer em pagamento de serviços ambientais no setor de água e carbono. Para que esse mercado possa ser aproveitado da melhor forma, é importante que o País estude desde já como fazer, instalar e usar da forma mais eficiente possível. Na avaliação de Strassburg, há avanços. "No longo prazo, o mercado de carbono vai acontecer, não vai ter outro caminho. Até 2020 ele vai estar instalado e temos que estar prontos."

Para o representante do IIS, o resultado do proprietário rural com o recebimento por serviços ambientais prestados no plantio de florestas nativas com exóticas é mais atraente no curto e médio prazos. Ele explica que, nos primeiros anos, os recursos são valiosos, mas conforme o produtor começa a cortar árvores para a venda, mesmo que de maneira sustentável, o valor dos serviços vai diminuindo. Por isso, deve ser visto com a função de financiar a transição de áreas rurais desmatadas em áreas recuperadas com florestas nativas.
 
Fonte: Terra

Senado aprova fim de concurso apenas para cadastro de reserva

O Senado aprovou nesta quarta-feira o fim de concurso público para formar exclusivamente cadastro de reserva. Apreciado em caráter terminativo pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o projeto de lei será analisado pela Câmara dos Deputados.

Os senadores excluíram dessa norma as empresas públicas e de economia mista. No entanto, essas empresas não poderão cobrar taxas de inscrição quando o objetivo for apenas criar cadastro de reserva. O projeto prevê que o edital de cada concurso público de provas ou de provas e títulos, no âmbito da administração direta e indireta - fundações e autarquias - da União, Estados, municípios e no Distrito Federal, deverá especificar o número de cargos a serem providos.
De acordo com o projeto, o uso do cadastro de reserva será permitido quando há excedente no número de candidatos aprovados em relação às vagas disponíveis. O autor da proposta foi o ex-senador Expedito Júnior (PR-RO). Segundo ele, a realização de concursos públicos sem que haja qualquer vaga a ser preenchida contraria os princípios da moralidade, impessoalidade e eficiência ao criar nos candidatos falsas expectativas de nomeação.

De acordo com a Agência Senado, o relator Aécio Neves afirmou que o mais grave é submeter o concursando ao desgaste de um longo período de preparação, durante o qual incorre em despesas e sacrifícios pessoais e não raro familiares. "Gasta com cursos preparatórios, às vezes com o abandono do emprego para dedicação integral aos estudos e, finalmente, com os valores cobrados para poder realizar as provas. Depois disso tudo, aprovado, passa a viver a expectativa e a incerteza da admissão ao emprego para o qual se habilitou", destacou.

Fonte: Terra Economia, via Agência Brasil

Marina Silva: Novo Código Florestal virou Código Agrário

A aprovação do novo Código Florestal, mesmo com os vetos da presidenta Dilma Rousseff, significa, para a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, a revogação de “mais de 20 anos de esforço de regulação e governança ambiental” no país. “Temos um Código Florestal que não é mais florestal, é um Código Agrário. O que está sendo avaliado é uma caixa de Pandora [caixa que, na mitologia grega, continha todos os males do mundo], com todas as maldades”, criticou.

Marina participou ontem (1º) de seminário sobre energia limpa, na Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), que antecede a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que ocorre de 13 a 22 de junho no Rio. A ex-senadora definiu o veto da presidenta Dilma Rousseff ao Código Florestal como “periférico e insuficiente”.

Os pontos negativos mais importantes do novo Código Florestal são, na opinião da ex-ministra do Meio Ambiente, a manutenção da anistia para os desmatadores e a redução da proteção das áreas que deveriam ser preservadas, como manguezais, nascentes e margens dos rios. “Permaneceu o projeto do Senado, com agravamentos”, disse.

Marina ressaltou que o antigo Código Florestal tinha ajustes que haviam sido propostos para corrigir algumas situações de entendimento entre ambientalistas, produtores e governo. Ela citou, como exemplo, o cultivo de parreiras, macieiras e dos cafezais. Por serem culturas de ciclo longo e lenhosas, deveriam ficar aonde estão. “Quando nós concordamos com esse arranjo, eles disseram: então, também podem a pecuária, a agricultura de modo geral e o plantio de espécies exóticas e foi isso que ficou no texto do Senado”.

Marina disse que, nesse caso, uma transigência correta para atualizar o código sofre a colocação “de uma agenda do século passado, que é aumentar a produção pelo uso predatório dos recursos naturais”. Ela disse que não é justo o que está sendo feito com as florestas brasileiras. “Estão transferindo o passivo da agricultura para as florestas”.

A ex-ministra denunciou ainda a existência no Brasil de 120 milhões de hectares com uma pecuária improdutiva, que produz uma cabeça de gado por hectare, quando na Argentina são produzidas três cabeças por hectare. Ela acredita que se o país aumentar a eficiência para produzir mais, apoiado pelas tecnologias hoje disponíveis, seriam liberados cerca de 17 milhões de hectares para outros usos.

Outro problema, segundo Marina, é que o país produz um emprego a cada 400 hectares, quando existem tecnologias que permitem produzir um emprego a cada 80 hectares. “Estão transferindo a ineficiência do setor para as florestas. A biodiversidade, os recursos hídricos e a sociedade, de modo geral, estão pagando o preço por não serem enfrentados os gargalos da agricultura”.

Marina também criticou a postura contrária do governo brasileiro à criação de uma agência mundial ambiental em substituição ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), orgão de funcionamento semelhante à Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo. “O que se quer, disse, é ficar no mesmo lugar. No lugar da inércia”.

Em comparação a 1992, quando ocorreu a Conferência da ONU para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio92), Marina avaliou que o cenário hoje é melhor, do ponto de vista da sociedade. “Nós estamos com retrocesso do ponto de vista do governo”. Ela mostrou-se, entretanto, otimista, no sentido de que esses retrocessos podem ser corrigidos e deixou claro que não tem atitude de oposição em relação à presidenta Dilma. “Espero que os rumos sejam corrigidos por quem tem o poder de corrigir, que é o próprio governo. A esperança não é a última que morre. É aquela que não deve morrer”.

Por: Alana Gandra
Fonte: Agência Brasil- EBC
Edição: Fábio Massalli

Brigitte Bardot envia carta à Presidente Dilma Rousseff repudiando a criação de jegues para abate e exportação na China



Tradução Suzy Bernard


Carta aberta à Senhora Dilma Roussef
Presidente da Republica Federativa do Brasil


Excelentíssima Senhora Presidente,

Escandaloso, (vou tornar esse fato mundial) chegou ao meu conhecimento que seu país está se conduzindo de maneira vergonhosa e inadmissível no projeto em andamento que criará jegues para abate e envio à China para que estes se transformem em alimento e matéria prima para cosméticos: Um verdadeiro genocídio animal dos jumentinhos brasileiros!

Eu que tanto amei o Brasil deixando um traçado marcante em minha passagem por Búzios. Estou passada, revoltada em ver esse país colaborar com a China para matar 300.000 jegues explorados pelo homem que deveria deixa-los em paz.

Vossa excelência não pode como Presidente da Republica, mulher e ser humano aceitar essa barbaridade, esse retrocesso que manchará profundamente a imagem do Brasil.

Em vossa alma e consciência eu vos suplico em por um fim a essa barbaridade.     

Gandhi disse: "Julga-se uma nação pelo modo que esta trata os animais".

Conto infinitamente com vossa excelência, coloco todas as minhas esperanças em suas mãos e no amor que nutro por vosso país.

Brigitte Bardot
Presidente da Fundação Brigitte Bardot
24 de maio de 2012

Leia a carta original em:

A bomba desarmada

por Dal Marcondes*, da Envolverde

Protesto contra mudanças no Código Florestal pelo Senado.

Depois de três anos de debates intensos no Congresso e entre grupos de produtores rurais, ambientalistas e cientistas o Brasil finamente ganhou aquilo que se convencionou chamar de “segurança jurídica” para o uso do solo. O novo Código Florestal assinado pela presidenta Dilma em 25 de maio, e que foi publicado com veto a seus pontos mais polêmicos, passa a valer imediatamente, mas, como foi editado juntamente com uma medida provisória, tem 60 dias para ser aprovado no legislativo. “Foram 12 vetos e 32 modificações, das quais 14 recuperam o texto do Senado, cinco correspondem a dispositivos novos e 13 são ajustes ou adequações de conteúdo”, resumiu o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, ao anunciar as decisões. Pelo caminho ficaram baixas na fileira ambientalistas, que queriam mais blindagem para as florestas e trabalhavam por um veto total do texto aprovado pela Câmara, e entre os ruralistas o clima também não é de festa. Dilma aparou arestas e arrancou pontas vivas que poderiam causar danos tanto à preservação ambiental como à produção rural.

Alguns dos principais pontos alterados têm relação com a extensão de áreas de proteção ao longo dos rios, manguezais e nascentes, que pelo gosto dos ruralistas não deveriam ter tratamento especial. Foram reconduzidos pelo governo a sua posição de espaços frágeis e de grande interesse ambiental. Outro ponto de honra para o governo, que já estava anunciado pela própria presidenta, é que não seriam admitidas anistias a desmatadores. O novo texto torna obrigatória a recomposição de áreas de preservação permanente (APP) de margens de rios em extensão compatível com a largura de cada rio. O texto que saiu da Câmara previa apenas 15 metros de recomposição não importando a largura do rio.

Outro ponto importante é que o texto presidencial restabelece a como fundamental para a gestão fundiária o Cadastro Ambiental Rural (CAR), onde todas as propriedades devem apresentar em seus municípios um detalhado relato de suas áreas, composições florestais e de produção, Áreas de Preservação Permanente e outros pontos de interesse. Caso isso não seja feito a propriedade não poderá receber créditos para suas atividades. Os produtores tem agora o prazo de cinco anos para se adequar à lei. Pelo texto da Câmara não havia prazo para realização do cadastro e nenhuma punição para quem não fizesse.

Apesar de aguardado com ansiedade, o veto da presidenta e a publicação da MP restabelecendo os acordos feitos quando o Código Florestal transitou no Senado podem não ser ainda o capítulo final da novela.

Esse passo deu ao governo o fôlego necessário para superar o mês de junho, quando o Brasil recebe representantes de 193 países e milhares de ativistas ambientais e sociais que participarão das atividades da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, mas os próximos 60 dias devem ser de muita articulação entre governo e bancada ruralista. De um lado o governo não pode se arriscar a ter os vetos derrubados pelos deputados e, de outro, já se levanta novamente a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura, que aponta no novo texto prejuízos para o setor produtivo. A principal articulação agora é para indicar o relator no Congresso da comissão que vai examinar os vetos.

Sob a ótica dos ambientalistas a produção rural e o agronegócio já dispõem de território suficiente para expandir sua produtividade e garantir a oferta de alimentos e de insumos para bioenergia, sem precisar avançar sobre espaços virgens ou desrespeitar as áreas de preservação. Essa vertente se apoia principalmente em alguns números como o crescimento da rentabilidade e da produtividade do agronegócio nos últimos anos. Dados do Ministério da Agricultura e da Pecuária e do IBGE mostram que em 2000 o setor exportava US$ 20,6 bilhões, em 2008 esse número chegou a US$ 69,4 bilhões e, em 2011, esse número bateu em US$ 94,59 bilhões. Os números do IBGE mostram que a colheita de 2011 foi um recorde de quase 160 milhões de toneladas, com um crescimento de 24% em rentabilidade financeira sobre 2010 e a área plantada no ano passado chegou a 48,7 milhões de hectares, com 90% da produção concentrada em soja, milho e arroz. A expectativa do IBGE para 2012 é que a produção chegue a 160,3 milhões de toneladas e que as exportações superem a barreira dos US$ 100 bilhões. E todos esses ganhos foram conseguidos dentro da vigência do Código Florestal de 1965.

Mesmo parecendo que a disputa pelo Código Florestal envolve apenas ruralistas e ambientalistas, na realidade houve muitos outros atores importantes nesse debate. A comunidade científica, representada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Associação Brasileira da Ciência (ABC), reuniu um grupo de renomados especialistas que após estudos editou uma publicação chamada “O Código Florestal e a Ciência – Contribuições para o Diálogo”, que praticamente foi ignorada durante a tramitação do texto entre os deputados federais. O atual ministro dos Esportes e antigo relator da matéria na Câmara, deputado Aldo Rebelo, costumava tratar como farinha do mesmo saco ambientalistas e cientistas. A boa notícia é que alguns dos itens apontados pelos cientistas foram atendidos pelo veto presidencial, como por exemplo a necessidade de manutenção de Áreas de Reserva legal e de Preservação Permanente.

Começa agora outra disputa, para garantir a preservação do texto do Código Florestal assim como está proposto pela Presidência da República. Afinal, a legislação federal é apenas um parâmetro para Estados e municípios, que podem também legislar sobre o tema, desde que não estabeleçam leis conflituosas com a legislação federal. Podem ser mais rigorosos, se assim quiserem.

* Dal Marcondes é jornalista especializado em jornalismo econômico, diretor e editor responsável da Envolverde – Revista Digital e presidente do Instituto Envolverde.

** Publicado também na coluna do autor no site da Carta Capital. (Envolverde)

Ondas do mar produzem energia elétrica no Ceará

Celso Calheiros 18 de Maio de 2012  

Ondas constantes e uniformes em um molhe distante da praia, em São Gonçalo do Amarante, foram características apropriadas para escolha do local. (Foto: Secretaria de Infraestrutura do Ceará)

As termoelétricas produzem carbono e contribuem para o efeito estufa e as hidrelétricas com suas represas pertubam a fauna e a flora. Em consequência, continua a busca por tecnologias para produção de eletricidade com baixo impacto ambiental. Todo mundo já ouviu falar da eólica, a energia do vento, ou a fotovoltaica, produzida com a ajuda do sol. Mas está perto de ser apresentado ao grande público um projeto no Porto de Pecém, em São Gonçalo do Amarante, Ceará, que ganhará destaque pela inovação: a utilização das ondas do mar para a geração de energia elétrica.

O projeto é liderado pelo professor Segen Estefen, da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um dos maiores especialistas do planeta na área. Segen Estefen coordena o capítulo 6, sobre energia dos oceanos, do relatório especial sobre energia renovável do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU.

A transformação da energia das ondas em energia elétrica utilizará flutuadores na base de braços mecânicos, instalados no quebra-mar do Porto de Pecém. O movimento ondulatório fará a estrutura do braço de subir e descer. Essa força será utilizada como uma bomba para impulsionar água tratada por tubos. O processo cria uma grande pressão em uma câmara hiperbárica, semelhante a de uma queda d’água de 400 metros. Em resumo: o movimento das ondas bombeia a tubulação com água, que ganha força o suficiente para movimentar uma turbina ligada a um gerador, que produz eletricidade.

O projeto começou em 2009, com financiamento de R$ 12,5 milhões da Trectebel Energia e base logística oferecida pelo governo do Ceará. Agora está em sua fase final, com os parafusos do sistema ganhando o último aperto. Serão dois braços mecânicos, que vão gerar 100 kW. Pesquisadores e governo evitam falar a respeito para não tirar o brilho do anúncio final.

De onde vem essa energia, há muito mais e o projeto já é concebido para comportar dezenas de módulos iguais aos dois que serão usados inicialmente. O professor Segen Estefen conta que se todo o potencial energético dos oceanos, estimado em 10 mil GW, fosse aproveitado, seria possível atender a demanda de energia de todo o planeta. “Se investíssemos em usinas de ondas, nos próximos dez anos, já poderíamos contar com 15 GW gerados por essa tecnologia no Brasil”, calcula Estefen.

Nos cálculos do coordenador do projeto, o potencial energético das ondas no Brasil é da ordem de 87 GW. Projeções do Coppe indicam que é possível converter cerca de 20% desse potencial em energia elétrica, o mesmo que 17% da capacidade instalada no país.

A ideia continua inovadora, mesmo já sendo pesquisada pelo mundo afora. Os franceses já olham para as águas do mar pensando em energia desde 1966, quando construíram, no estuário de La Rance, uma usina de 240 MW pelo deslocamento das marés.

O Reino Unido procura se destacar no uso da força das marés para transformar sua energia em eletricidade. Em Heidenheim, Alemanha, a empresa Voith Hydro desenvolve pás que se assemelham a hélices e tiram proveito dos dois movimentos das marés, de alta e de baixa. Em Portugal, uma parceria com finlandeses vai instalar três módulos a 30 metros de profundidade no mar de Peniche, na praia da Almagreira. Índia, China e Japão também têm seus projetos. Mas o campo ainda é incipiente e não há nenhum país disparado na frente quando se trata da energia que vem das ondas.

Fonte: O Eco

Navios deixam cair mais de 600 contêineres no mar a cada ano

Oceanos fazem parte dos debates da conferência Rio+20.
Falta de informação prejudica conservação, aponta oceanógrafo.

Contêiner encontrado no fundo do Oceano Pacífico e analisado por pesquisadores americanos. (Foto: Divulgação)


Dennis Barbosa
Do G1, em São Paulo

Quando o mar está muito agitado ou quando empresas declaram peso menor que o real para os contêineres que estão despachando, acidentes podem acontecer e essas grandes caixas de aço, usadas para transporte em navios em todo o mundo, podem se soltar e cair no mar.

De acordo com levantamento do World Shipping Council, grupo que congrega empresas de navegação que fazem mais de 90% do transporte de carga marítima internacional, em média 675 contêineres por ano acabam no fundo do oceano. Considerando que, em 2010, esse setor deslocou 100 milhões dessas unidades, o índice de perda parece pequeno.

Mas o fato é que, a cada ano, em centenas de pontos pelo mundo, o chão dos oceanos é “presenteado” com imensas caixas metálicas, às vezes com conteúdo poluente, e o efeito disso ainda é pouco conhecido.

“Os navios de contêineres normalmente não têm guindastes ou outros dispositivos que permitiriam recuperá-los do mar. Geralmente, eles descem até o fundo. Mas em casos em que as condições permitem, tentamos recuperar”, diz Anne Kappel, vice-presidente do WSC.

Os pesquisadores americanos Andrew DeVogelaere e Jim Barry coordenam um trabalho para entender melhor qual é o efeito dos contêineres sobre o ambiente marinho. Os cientistas enviaram um submarino robotizado até um deles, perdido a 1.281 metros de profundidade no Oceano Pacífico, a oeste da costa da Califórnia.

A pesquisa ainda não foi encerrada, mas eles já verificaram que o aparecimento do bloco metálico alterou a ecologia no local. Em volta do contêiner perdido, foram encontradas espécies diferentes das que normalmente habitam as imediações, já que ali há apenas um fundo arenoso. Os pesquisadores acreditam que, além dessa alteração, o contêiner ainda pode servir de “parada” para seres vivos que estão migrando para outros pontos, oferecendo um substrato sólido para se fixarem, o que, de outra forma, não aconteceria no chão de areia.

O levantamento ainda é preliminar, mas já está claro que esse tipo de acidente tem seus efeitos sobre a vida no mar.

Poucos dados
A falta de informação sobre os oceanos é um dos principais problemas para que se possa tomar medidas para proteger esses importantes ecossistemas, aponta o oceanógrafo
José Muelbert, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), que coordenou até o ano passado uma comissão para a implantação de um sistema de observação global de regiões costeiras.

Os oceanos são um dos temas a serem debatidos na Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, que acontece este mês, no Rio de Janeiro.

Para Muelbert, o rascunho do documento internacional que deve resultar da conferência contém avanços singificativos nessa área. “Os estados devem reconhecer que os oceanos são críticos para os sustentos vitais da terra. É algo que não tem tido muito reconhecimento”, observa.

“Outro aspecto importante é o reconhecimento de que se precisa implementar um processo regular, ou seja, um painel internacional para verificar regularmente a saúde dos oceanos”, acrescenta.

Acidificação
O professor chama atenção ainda para a intenção de se criar um sistema de obervação da acidificação da água marinha. “Acho que é um ponto que é um pouco tímido. A acidificação é apenas um dos assuntos que mostram a agressão aos oceanos. Tinha que haver um sistema mais amplo, que incluísse, por exemplo, as chamadas ‘zonas mortas’, onde há falta de oxigênio na água”, defende.

Também a pesca é questão importante para ser discutida na Rio+20, já que em vários pontos pelo mundo as populações de determinadas espécies de peixes estão se esgotando. “Os estados devem ser instados a restaurá-las a níveis sustentáveis”, comenta Muelbert. A ONU estima que mais de 3 bilhões de pessoas dependam da biodiversidade marinha para viver.

“O importante é que exista uma conscientização da sociedade da importância dos oceanos. Eles são responsáveis pela vida e pelo clima que temos hoje. Se os alterarmos, nosso habitat terrestrre vai ser afetado e isso vai afetar as gerações futuras”, conclui Muelbert.

Fonte: Global Garbage