quarta-feira, 4 de julho de 2012

Projeto que cria santuário de baleias é derrubado

Defendida pelo Brasil, proposta é vetada na reunião anual da Comissão Internacional Baleeira; organizações criticam falta de esforço diplomático


Os 38 votos a favor da criação do Santuário Atlântico Sul foram insuficientes e o projeto para proteger as baleias na região entre a América do Sul e a África, que há 12 anos é apresentado pelo País, foi vetado ontem na reunião anual da Comissão Internacional Baleeira (CIB), que ocorre nesta semana na Cidade do Panamá.

A aprovação da área de proteção dependia de 75% de votos favoráveis - com 21 países contrários e 2 abstenções, o índice ficou em 65%. Representantes de organizações ambientais criticam uma suposta falta de esforço diplomático frente ao lobby de países caçadores de baleias, liderado pelo Japão.

Para Leandra Gonçalves, do SOS Mata Atlântica, o santuário não sairá do papel enquanto não houver transparência na votação. "Foram 21 votos contra, mas apenas 3 países (Japão, Islândia e Noruega) realmente têm essa posição. O restante é de países menores, que têm seus votos comprados", acusa a ambientalista, coordenadora do Programa Costa Atlântica.

Segundo ela, o maior avanço para este ano havia sido jogar a votação para o início da discussão. Sem uma campanha forte da diplomacia brasileira antes da reunião, no entanto, não houve a adesão esperada. "Todos os anos, a maioria simples vota a favor. Mas, neste ano, se olharmos para o governo brasileiro, houve retrocesso. O País sempre mandou muitos representantes, mas durante as prévias faltou esforço para reforçar a campanha", afirmou Leandra.

A opinião é compartilhada por Truda Palazzo, diretor do escritório brasileiro do Centro de Conservação Cetácea, que acompanha a discussão no Panamá.

"Está claro que o governo do Brasil não está fazendo a sua parte para conseguir esses votos faltantes. Muitos países do Caribe e África têm relações bilaterais fortes com o Brasil, mas não se consegue que o Itamaraty ou mesmo a Presidência eleve o nível das gestões para se conseguir esses votos", afirma Palazzo. "Como um dos idealizadores da proposta, em 1998, estou indignado com esse desleixo do País com o tema. Dá a impressão de que o compromisso do Brasil com o tema é meramente 'diplomacia ornamental'."

O governo brasileiro nega ter diminuído os esforços para a criação do santuário e alega "questões burocráticas" para a baixa representatividade do País no evento - segundo o Ministério do Meio Ambiente, há apenas um técnico do órgão acompanhando as discussões na Cidade do Panamá.

Nova discussão. Nos próximos dias, outra resolução bastante aguardada deve entrar na pauta. Ela se refere à participação da Organização das Nações Unidas (ONU) na questão da caça científica promovida no Santuário de Baleias do Oceano Antártico. "Não acredito em novas votações para os próximos dias, mas essa é uma questão importante", afirma Leandra Gonçalves. "É preciso barrar a matança promovida pelo Japão, pois não é preciso matar para se fazer experiências científicas."

Fonte: O Estado de São Paulo

Cursos de férias - Julho de 2012

Em julho, várias universidades e outras instituições de ensino oferecem cursos com duração de um mês. Muitos deles são gratuitos ou de baixo custo e atentem a todo tipo de estudante. Quem quiser aproveitar o mês das férias para se agarrar às oportunidades de crescimento profissional, pode se inscrever em um deles.

A Universidade de Guarulhos, em São Paulo, recebe até o dia 10 de julho as inscrições para os cursos de férias profissionalizantes. Há vagas para as áreas de administração, contabilidade e negócios, arte, cultura, esporte, biologia, meio ambiente, comunicação, direito, justiça, cidadania, educação, saúde, bem-estar, tecnologia e informática.

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As aulas acontecem entre os dias 14 e 28 na própria universidade. O investimento é de R$ 30 reais para todos os cursos.

Fonte: Portal R7

Nota do Blog: há vários cursos na área de Biologia.

Para saber mais dos cursos disponibilizados pela UNG, acesse:  

Vídeo de Conscienti​zação sobre Dengue e Meio Ambiente

O vídeo intitulado "Preservando a saúde e a natureza" mostra como uma garota trata com descaso a natureza ao jogar um copo descartável fora do lixo. Mas ela sente na pele a consequência de seus atos: adoece de dengue. Apesar dessa dura experiência ela aprende e nos ensina a agir de forma correta. 

Ótimo para mostrar aos alunos!

http://www.youtube.com/watch?v=sZbkSNyT_R8

Nissan desrespeita leis brasileiras e constrói sua fábrica em área de preservação ambiental do Rio de Janeiro

Nos últimos anos a economia brasileira tem apostado todas as suas fichas na produção e consumo de carros para manter o capital brasileiro circulando e diversas montadoras estão trazendo suas fábricas para o Brasil para aproveitar o bom momento. A princípio essa migração gera empregos e é algo bom. Mas a equação nem sempre dá resultado positivo. Todo empreendimento deve ter seu impacto estudado e avaliado para verificar se os ganhos realmente compensam os danos que serão causados. Cabe ressaltar que os ganhos devem ser sociais e não meramente econômicos.
O Estado tem papel fundamental na determinação do equilíbrio entre os impactos positivos e negativos dos empreendimentos. A Nissan, empresa japonesa, está construindo uma nova fábrica de carros e, para isso, está aterrando a Lagoa da Turfeira, uma área de preservação ambiental. Este novo empreendimento está deixando uma marca de destruição no município de Resende, Rio de Janeiro. O secretário municipal de Planejamento, Alfredo de Oliveira, informou que a Nissan já havia sido notificada sobre a faixa de 50 metros de área protegida no entorno da lagoa. Mas parece que os japoneses não estão dando a mínima para a legislação brasileira.

Vale lembrar que lagoas são caracterizadas como áreas de preservação permanente, por isso são intocáveis. A Lagoa da Turfeira, mais conhecida como Banhado da Kodak, é um caso ainda mais crítico. Esta é uma das últimas grandes áreas úmidas da região sul fluminense e um estudo registrou mais de 170 espécies de aves silvestres no local, dentre elas diversas espécies estão ameaçadas de extinção, demonstrando que a lagoa representa um importante refúgio para manutenção dessas vidas.
Durante os dez dias que estive no Rio de Janeiro para a Rio+20 tive contato com diversas pessoas que estavam inconformadas com a situação do Banhado da Kodak. Eles não eram ambientalistas. Eram taxistas, vendedores e transeuntes em geral. Ninguém conseguia entender como a prefeitura de Resende e o estado do Rio de Janeiro não estavam tomando providências sobre o assunto. Sem uma resposta clara as pessoas suspiravam: “corruptos“.

O prefeito da cidade de Resende é José Rechuan (PP). A fiscalização deve ser feita pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA), mas a responsabilidade da área é da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin). A Nissan contratou a WTorre para fazer a terraplenagem que esta sendo executada na região.

O mais cômico disso tudo é ler na área de sustentabilidade do site da WTorre “PRESERVAÇÃO DO PLANETA. A MAIOR OBRA DA HUMANIDADE.”, em caixa alta. Além disso, “Para a WTORRE, o compromisso com a sustentabilidade se manifesta na gestão de seus negócios e de suas ações.”.

Fonte: Atitude Eco

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Jane Goodall fala do que nos separa dos macacos

Jane Goodall ainda não encontrou o elo perdido, mas chegou mais perto do que ninguém. A primatologista diz que a única verdadeira diferença entre humanos e chimpanzés é a nossa linguagem sofisticada. E incita-nos a usá-la para mudar o mundo.

Assista sua palestra (legendada) acessando o link:

Brasileiro consome cinco quilos de agrotóxicos por ano, mostra estudo divulgado na Cúpula dos Povos

Vladimir Platonow
Agência Brasil

Rio de Janeiro – A venda de agrotóxicos no Brasil em 2010 teve um aumento de 190% em comparação a 2009. Isso significa que cada brasileiro consome cerca de cinco quilos de venenos agrícolas por ano. Os dados fazem parte de um estudo da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), baseado em informações disponibilizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O estudo foi apresentado hoje (16) na Cúpula dos Povos pela médica sanitarista Lia Giraldo da Silva Augusto, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Ela credita o aumento na venda dos agrotóxicos ao bom momento do mercado agrícola, puxado principalmente por uma forte demanda chinesa. O produto que mais recebe venenos é a soja transgênica, que precisa do glifosato para produzir, em um tipo de “venda casada”, explicou a pesquisadora.

“Este ano a Abrasco decidiu construir um dossiê sobre o tema do agrotóxico e os impactos na saúde e no meio ambiente. O trabalho marca os 40 anos de Estocolmo [primeira conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente], os 20 anos da Eco92 e os 50 anos do lançamento do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson.”

Segundo a médica, o uso de agrotóxicos no Brasil faz parte do modelo produtivo adotado na agricultura nacional. “Este modelo da agroindústria é todo sustentado no pacote da revolução verde, que é baseada em uma agricultura químico-dependente. O agrotóxico é parte desse modelo. Por causa disso, desde 2008 o Brasil ocupa o primeiro lugar no consumo de agrotóxicos, segundo dados levantados pela Abrasco na Anvisa.”

Os dados podem ser acessados na página da Abrasco.

Fonte: Amarnatureza.org.br - http://amarnatureza.org.br/site/brasileiro-consome-cinco-quilos-de-agrotoxicos-por-ano-mostra-estudo-divulgado-na-cupula-dos-povos,82513/

A intrigante comunicação das bactérias

Até há bem pouco tempo ninguém imaginava que as bactérias conversassem entre si, muito menos de um modo capaz de alterar seu comportamento.

por Marguerite Holloway
É de manhã bem cedo e Bonnie L. Bassler atravessa o campus da Princeton University. Ela vem direto da aula de aeróbica que dá toda manhã, às 6:15 - "Levanto exatamente às 5:42, nem um minuto antes, nem um minuto depois", diz, enfática. Bassler fala quase tudo com a mesma energia, e, quando a conversa passa para seu trabalho, ela fica, se é que isso é possível, ainda mais dinâmica. "Não fui feita para ficar parada no tempo", ri. "Fui feita para ser um furacão."

Bassler - professora de biologia molecular, ganhadora de um prêmio em 2002 pela MacArthur Foundation, e ocasionalmente atriz, dançarina e cantora - tem 41 anos e estuda as bactérias e o modo como elas se comunicam entre si e com outras espécies. O "quorum sensing", como o fenômeno é chamado, algo como percepção de quórum, é uma ciência jovem. Até há bem pouco tempo ninguém imaginava que as bactérias conversassem entre si, muito menos de um modo capaz de alterar seu comportamento. Bassler tem tido um papel fundamental na rápida ascensão dessa área. Ela decifrou alguns dos dialetos - mecanismos genéticos e moleculares que diferentes espécies usam - mas é mais conhecida por ter identificado o que pode ser uma linguagem universal compartilhada por todas as espécies, algo a que ela se referiu, bem-humorada, como "esperanto bacteriano".

Como o nome sugere, o quorum sensing descreve como cada bactéria percebe quantas outras há nas redondezas. Se há presença suficiente (quórum), elas podem pôr mãos à obra imediatamente ou decidir "enrolar" mais um pouco. Milhões de bactérias luminescentes são capazes de decidir emitir luz ao mesmo tempo para que seu hospedeiro, uma lula, por exemplo, brilhe - talvez para distrair predadores e fugir. Ou bactérias salmonela podem resolver esperar até que seus batalhões estejam organizados antes de liberar uma toxina que faça o hospedeiro adoecer; se agissem como assassinos independentes, em vez de atuarem como exército, o sistema imunológico provavelmente as eliminaria. Pesquisadores mostraram que as bactérias também usam o quorum sensing para formar a placa bacteriana sobre os dentes, corroer cascos de navios e controlar a reprodução e a formação de esporos.

Se realmente for assim, as implicações são enormes. O quorum sensing nos remete à evolução. Talvez as primeiras bactérias tenham se comunicado, depois se organizado de acordo com diferentes funções e, finalmente, formado organismos complexos. De forma mais prática, o quorum sensing dá à medicina uma nova estratégia: se destruirmos o sistema de comunicação de bactérias perigosas, como o enterococo resistente a antibióticos, talvez elas não consigam organizar seu ataque com eficiência. Nas palavras de Bassler, "você tanto pode torná-las surdas como mudas".

O estudo do quorum sensing tem suas raízes nos anos 70. Dois cientistas - J. Woody Hastings e Ken H. Nealson - descobriram que uma bactéria marinha, Vibrio fischeri, só produzia luz quando sua população atingia certa número. Se havia poucas bactérias, elas não ficavam bioluminescentes. Os dois pesquisadores especularam que as bactérias produziam um sinal - chamado por eles de auto-indutor - que gritava "Estamos aqui, estamos aqui". Quando o volume da gritaria aumentava o bastante, o conjunto brilhava. Em 83, Michael R. Silverman, então no Agouron Institute em La Jolla, Califórnia, e um colega, identificaram os genes do auto-indutor e do receptor da V. fischeri.

Bassler começou a trabalhar com Silverman em 1990, depois de concluir seu doutorado na Johns Hopkins University. Ela decidiu se concentrar em outra bactéria marinha luminosa, V. harveyi, para descobrir se seu sistema de sinais era semelhante. Trabalhou criando bactérias mutantes - desativando um gene aqui, outro ali, para ver se conseguia identificar qual fazia a bactéria se iluminar na presença de companheiras. "Você apaga a luz da sala e procura aquelas que estão apagadas quando deviam estar iluminadas e vice-versa. É genética para imbecis", ironiza. Bassler encontrou os genes do auto-indutor e do receptor da V. harveyi.

Ela também descobriu algo surpreendente. Se retirasse esses dois genes e colocasse a V. harveyi modificada em companhia mista - isto é, perto de grupos de espécies diferentes de bactérias - , ela brilhava. "Soube então que havia um segundo sistema", lembra. As bactérias "não têm espaço em seu genoma para ser burras, então deveria haver um propósito específico para esse sistema". As bactérias diferentes estavam emitindo alguma coisa a que a V. harveyi estava respondendo. Bassler chamou essa alguma coisa de auto-indutor dois (AI-2).

Em 94, quando o campo do quorum sensing começava a crescer, Bassler foi para Princeton. Com o tempo, ela e outros mostraram que o quorum sensing deflagra a liberação de toxinas por bactérias como a V. cholerae. E descobriram que cada bactéria testada tinha seu próprio auto-indutor, que usava para se comunicar com seus pares. Bactérias gram-negativas como a Pseudomonas aeruginosa usam várias versões de moléculas AHL (acil-homoserina-lactonas); bactérias gram-positivas como Staphylococcus aureus usam peptídeos.

Mas a maioria das bactérias analisadas por Bassler também usava AI-2. Até 97, "vimos que todas aquelas bactérias usavam essa molécula, e não só bactérias malucas e esquisitas do oceano. Então imaginamos que as bactérias deviam ter um jeito de se reconhecer entre as outras." Para Bassler, a idéia de que bactérias diferentes conversam faz todo sentido. Há 600 espécies de bactérias nos nossos dentes todas as manhãs, e elas formam exatamente a mesma estrutura toda vez: essa vem depois daquela, aquela depois daquela outra", diz. “Pareceu-nos que simplesmente não dá para fazer isso se a única coisa que você puder detectar for você mesmo. Tem de conhecer `o outro`.”

Bassler e seus alunos partiram para purificar e caracterizar o AI-2. Finalmente conseguiram. O AI-2 é uma formação incomum - um açúcar com um boro no meio. "O que é incrível nessa molécula é que é a primeira da história a ter uma função biológica para o boro. Da história!", exclama Bassler.

Atualmente Bassler e seus colegas estão tentando determinar se o AI-2 é realmente uma molécula que trabalha sozinha como sinal ou se combina com outras moléculas para criar "linguagens" ligeiramente diferentes. Se for a última opção, nada de esperanto. "O trabalho dela é realmente fantástico", diz o microbiologista Richard P. Novick, da New York University. "Mas há controvérsia sobre de onde [o AI-2] vem e por quê. E sua atuação em sistemas diferentes não está clara."

Alguns cientistas também acreditam que certos aspectos do quorum sensing - mas não as descobertas de Bassler - possam ter recebido uma interpretação forçada. “As bactérias querem se comunicar ou isso acontece apenas por acidente?”, pergunta Stephen C. Winans, microbiologista da Cornell University. "Essa idéia deu por certo que as bactérias querem se comunicar entre si. Pode ser bom demais para ser verdade."

A energia de Bassler - seu amigo e mentor Silverman a descreve como "extremamente motivada", "sempre numa caçada" e "simplesmente feroz" - sugere que ela vai conseguir ouvir até a última palavra das bactérias. Por enquanto, continua concentrada em entender o AI-2. "Quero que tudo seja uma coisa só, por isso tenho certeza de que está errado", diz. "Quero que seja uma coisa só porque é melhor se você quiser fazer uma droga, certo?" Bassler é uma entre vários pesquisadores de quorum sensing que trabalham para empresas no desenvolvimento de medicamentos. Em 1999 ela formou a empresa Quorex com um ex-colega de Agouron. Apesar de sua participação estar atualmente limitada, ela tem esperança de que a iniciativa encontre novos antibacterianos. "Essa era realmente uma ciência considerada alternativa", diz Bassler. "Agora é essa área extraordinária, que nem mesmo existia 10 anos atrás."

Fonte: Scientific American Brasil / UOL