sexta-feira, 4 de abril de 2014

O passado da Medicina

Antigas fotos revelam os primórdios da medicina


Estudo e Prática da Medicina 

Máscaras usadas por médicos durante a Peste Negra (Século 14). Os bicos continham substâncias aromatizadas.


Os médicos não podiam tocar os corpos de suas pacientes, então utilizavam modelos anatômicos femininos (como os da foto), para que as mulheres descrevessem e apontassem quais locais sentiam dores.


Modelo obstétrico utilizado por estudantes de medicina e parteiros para estudo do parto (1700-1800).


 
Palestra médica realizada em Chicago (1900).


Francês técnico de enfermagem/radiologia na Primeira Guerra Mundial (1918).


Exame neurológico realizado com dispositivo elétrico (1878).


Esta foto retrata um dos primeiros procedimentos cirúrgicos realizados utilizando de éter como anestesia (1855 - 1860).


 
Três partes de pernas mostrando o tratamento de úlceras causadas pela sífilis (Alemanha, 1910-1920)


Para tratar de "insanidade", os pacientes eram enrolados em lençóis molhados e colocados em fileiras (Séculos 19 e 20)


Leonid Rogozov estava em uma expedição na Antártica, e por ser o único médico-cirurgião da equipe, teve que realizar uma operação em si mesmo depois de sofrer de apendicite (30 de abril de 1961).


Lobotomia: É a retirada de uma parte do cérebro. "Cada hemisfério do nosso cérebro é dividido em quatro partes ou lobos que são chamados frontal, occipital, parietal e temporal" , explica o neurologista Saul Cypel, do Hospital das Clínicas, em São Paulo. "A retirada do lobo pode ser total ou parcial."****





Lobotomia:  Em épocas antigas, a lobotomia era usada em pacientes com certos tipos de doenças mentais como forma de acalmá-los. Atualmente, nesses casos a técnica cirúrgica foi substituída por medicamentos ou psicoterapia. A lobotomia pode ser usada, por exemplo, para extrair tumores. Entretanto, a retirada de uma área do cérebro pode afetar as funções relacionadas com ela. Se for extraída a parte posterior do lobo frontal esquerdo, a fala pode ficar comprometida. "Quando a lobotomia é feita até por volta dos 3 anos de idade, o outro hemisfério do cérebro pode assumir a função da parte extraída, e não haverá seqüelas", explica Cypel. A lobotomia é também usada em casos de epilepsia, quando o problema não pode ser controlado com tratamento convencional. Retira-se um foco epiléptico localizado, ou seja, a região do cérebro responsável pelas descargas neuronais que causam as convulsões.


Aparelhos


Antigo desfibrilador, inventado por Claude Becks.


 
Antes da invenção da vacina contra a poliomelite, as crianças precisavam ficar em um aparelho chamado de "Pulmão de Aço" ou "Iron Lung", que foi projetado nos EUA por Philip Drinker, em 1927, durante a Crise da Poliomelite. 
Foi o primeiro ventilador mecânico do mundo. 
(Foto de 1937)


A máquina, de grande porte, permitia a pessoa respirar depois de ter perdido o controle muscular ou diafragmático. O doente era colocado dentro do aparelho, semelhante a um forno, ficando somente com a cabeça para fora. A máquina, ligada a um motor elétrico, exercia pressão negativa sobre o corpo, expandindo a caixa torácica e forçando a entrada do ar.*


O princípio utilizado era o de ventilação por pressão negativa, diferente dos dias atuais em que se é utilizado ventiladores com pressão positiva.


Na imagem, dezenas de pacientes estão sendo tratados em pulmões de aço, no Hospital Rancho Los Amigos Respiratory Center, o maior centro de tratamento respiratório para casos de poliomielite do mundo na década de 1950, próximo a Los Angeles. Pelo espelho acima de suas cabeças, os pacientes tinham a chance de ver o que acontecia ao seu redor, já que a maioria não tinha grande parte dos movimentos corporais, devido à poliomielite. *




Para combater o raquitismo, bebês eram submetidos à um tratamento de bronzeamento. 
Foto tirada em um orfanato de Chicago.


Aparelho para tratamento de coluna vertebral, inventado pelo Dr. Clark (1878).


 Sala de Fisioterapia de Walter Reed (1920).


 Cadeira de rodas de 1915.


Aparelho para tratamento de escoliose de Lewis Sayre.


Medicações

Remédio feminino feito pelo Dr. Kilmer: era descrito como purificador do sangue e regulador do sistema.


  
 Substâncias radioativas dissolvidas em água eram vendidas como medicamentos capazes de curar praticamente todos os males.


heroína era considerada benéfica no tratamento das dores há cerca de 100 anos atrás. Utilizava-se como um substituto da morfina pois, dizia-se, não era viciante. Para além do efeito analgésico, possuía também outras propriedades no combate à asma, tosse ou pneumonia. A empresa farmacêutica Bayer comercializava-a como um remédio para a tosse das crianças. Muitas vezes misturava-se com glicerina, com açúcar e com outros aromas para quebrar o seu sabor amargo, como se pode ver neste rótulo da empresa americana Martin H. Smith Company, de Nova Iorque***.


ópio nem sempre foi mal visto. Conhecido há centenas de anos no Oriente pelas suas propriedades relaxantes e sedativas, foi adotado pela medicina ocidental durante muito tempo como anestesiante. Podia ser usado também para o tratamento da asma ou mesmo para "acalmar" bebês recém-nascidos. Com 45% de álcool, além do mais, devia ser realmente muito eficaz***.


Um dos remédios mais recomendados para as dores de dentes infantis eram os drops de cocaína. Não apenas acalmavam a dor como também melhoravam o humor de quem os chupava. Para os cantores, professores e oradores era "indispensáveis" as drágeas de cocaína e mentol, pois acalmavam gargantas irritadas e davam "suavidade e elasticidade" às cordas vocais. Serviam ainda para animar estes profissionais, fazendo com que atingissem o máximo da performance***.

Uma das formas mais vulgares de consumir cocaína com fins terapêuticos era misturada no vinho. Como o sabor do vinho era ruim, as estratégias de marketing se concetravam no fator revigorante mais do que no fator enebriante do vinho. 
Estes vinhos tinham propriedades medicinais e ainda "recreativas", atuando como uma espécie de anti-depressivo. Destacamos o vinho Mariani, muito famoso no seu tempo (1865) sobretudo devido ao Papa Leão XIII. Consta que Sua Eminência carregava sempre consigo um frasco deste líquido abençoado e, inclusive, premiou o seu criador com uma medalha de ouro!***



Xarope calmante para bebês Mr. Winslow: o xarope calmante Mrs. Winslows era usado para acalmar crianças pequenas. Ele diminuía o batimento cardíaco dos pequenos e isso fazia com que eles dormissem rápido. Só que alguns bebês começaram a morrer após a ingestão e, apesar de denúncias, o xarope continuou a ser vendido até 1930. 


Ópio injetável Pantopon (Roche Laboratório): o slogan dizia "Experimente Pantopon para aliviar os sintomas da dependência de morfina, um excelente analgésico".


Morfina expectorante sabor cereja – Ayer: A cura para resfriados, tosses e todos os tipos de doença que afetam os pulmões e garganta. Continha morfina e heroína. 


Heroína Bayer: de 1898 até 1910, Bayer e outros laboratórios vendiam heroína como anti-tussígeno, e as ingênuas propagandas eram feitas ao lado de drogas mais simples que resistem até hoje no mercado, como a aspirina.



Próteses


Próteses para pés e pernas:





Dedo do Cairo: prótese egípcia, datada de 1.070 a.C., encontrada na múmia de uma mulher. Diante do desgaste da peça, sugere-se que a mesma tenha sido bastante utilizada e tenha não somente corrigido a deficiência física de sua portadora, como também tinha cunho estético.





























Mulher com perna artificial (cobriu seu rosto por vergonha). 
Foto tirada entre os anos de 1809 / 1900.


Próteses para mãos e braços:

Prótese de madeira (1800)

 Prótese de ferro e latão (1890).


























 Modelo de olho protético (1890).


Coleção de 50 próteses de olhos. (1890)


Primórdios da cirurgia plástica: itens utilizados em pacientes com lesões faciais.


Instrumentação cirúrgica, ferramentas, material de laboratório 


Garrafa utilizada em transfusão de sangue (1978).


Micrótomo em ferro, fabricado por E. Leitz Wetzlar, Instituto de Medicina Legal de Coimbra - aproximadamente 1920/1930.
Foto: INML, IP


Microscópio em latão e ferro, fabricado por E. Leitz Wetzlar, com platina móvel rotativa e de movimentos cruzados, objectivas 3,2x; 10x e 100x (imersão), ocular de 8x, estativo com focagem macro e micrométrica, condensador móvel, diafragma íris e iluminação por espelho de duas faces, plano e côncavo - Instituto de Medicina Legal de Coimbra, cerca de 1920.
Foto: INML, IP


 Kit cirúrgico utilizado na Guerra Civil Americana.


Conjunto de instrumentos cirúrgicos do Século 16.


Facas chinesas utilizadas em cirurgias (1801 a 1920)


Antigos utensílios de dentista.


Serra de Amputação: A maioria dos cirurgiões  se preocupava em decorar suas serras, mas não pensavam que os sulcos eram um lugar ideal para os germes construirem suas casinhas.** (1600)


Removedor de flechas: as duas pontas eram utilizadas para abrir pele, tecido adiposo e musculatura, e a terceira ponta tinha a função de remover a bala ou flecha; ou seja, enquanto as tesouras abriam o caminho, o eixo central era inserido na ferida para captar o objetivo da operação..(1500)


Sangrador artificial: Sangria com sanguessugas era populares em tratamentos para uma série de condições médicas, até que a sanguessuga artificial foi inventada em 1840 e foi utilizada com frequência em cirurgias de olhos e orelhas. As lâminas rotativas cortavam uma ferida na pele do paciente, enquanto que o cilindro era utilizado para produzir um vácuo que sugava o sangue.** (1800)


Extrator de balas: Era utilizado quando o projétil estava alojado em maior profundidade  Extratores como este tinha um parafuso que podia ser inserido na ferida e alongado para perfurar a bala e assim pudesse ser puxada para fora.(1500)


 Dilatador de colo uterino: a bacia de uma mulher era dilatada na hora do parto através de um cálculo de medição em escala. (1800)


 Faca de circuncisão. (1770)


 Ecraseur: utilizada para extração de hemorróidas, tumores de ovário e útero (1870)


 Fórceps de hemorróidas: utilizados para captar uma hemorróida entre as lâminas e aplicar pressão para interromper o sangramento, provocando a dormência da hemorróida**. (1800)


Hérnia Tool (Ferramenta para hérnias): esta ferramenta era utilizada após o restabelecimento de uma hérnia. Era inserido no corpo perto da área afetada e deixada lá por uma semana para produzir tecido cicatricial que poderia ajudar a fechar a hérnia.** (1850)


Compasso Hirtz: a bússola era usada para determinar com precisão onde estavam localizadas balas no corpo, para que pudessem depois serem removidas com precisão.  (1915)


Hysterotome: Ferramenta para amputar o colo uterino durante uma histerectomia (1860-90)


Boca mordaça: Esta madeira, em forma de parafuso, era inserida na boca do paciente  para manter as vias aéreas abertas.**(1740-1830)


Escarificador:  eram utilizados em derramamento de sangue. As lâminas de mola neste dispositivo cortavam a pele, e um copo de vidro arredondado poderia ser aplicado sobre a ferida. Quando aquecido, ele iria ajudar a tirar o sangue para fora em um ritmo mais rápido.** (1910)


Skull Saw (Serra para ossos):  Esta  serra da lâminas era utilizada para cortar seções através do crânio, permitindo o acesso de outros instrumentos.(1830-60)


Tobacco Smoke Enema: O tabaco enema era utilizado para inserir fumo de tabaco no reto de um paciente. O uso era para diversos fins medicinais, principalmente a reanimação das ví­timas de afogamento. Um retal tubo inserido no ânus estava ligado a um fole que forçava a fumaça para o reto. O calor do fumo foi pensado para promover a respiração, mas muitos duvidam da eficácia. Era usado principalmente para aliviar dores de cabeça, de estômago, cólicas e, irônicamente, problemas respiratórios**. (1750-1810) 


Tonsila Guilhotina (Removedor de amígdalas): este método de remoção das amí­gdalas trabalhava como uma guilhotina tradicional, cortando fora as amí­gdalas infectadas. Esta dupla guilhotina possibilitava que ambas as amí­gdalas fossem removidas ao mesmo tempo. Esses instrumentos foram substituídos por pinças e bisturis no in­ício do século 20, devido a  alta taxa de hemorragia e do caráter impreciso do dispositivo, que muitas vezes deixava remanescentes de amí­gdalas na boca**. (1860)


Trefina (Ferramenta para perfurar ossos): este instrumento era uma broca cilí­ndrica utilizada para furar o crânio. A broca do centro era utilizada para iniciar o processo e manter alinhada enquanto a lâmina de corte agia.(1800)


Espéculo vaginal: foi utilizado por milhares de anos para permitir aos médicos uma melhor visão e acesso à área vaginal (ou outras cavidades corporais), alargando depois da inserção. (1600)


Faca para amputação: Durante o século 18 eram tipicamente curvas, porque os cirurgiões tendiam a fazer um corte circular através da pele e músculos. Antes os ossos eram cortados com um serrote. Depois de 1800, facas retas se tornaram mais populares porque tornaram mais fácil deixar um retalho de pele que podiam ser utilizados para fechar o buraco**. (1700)


Aparato de transfusão de sangue tipo Jubé (Paris, França, 1900-1945)


 Aparelho anti-masturbação (Reino Unido, 1871-1930)


Jugum penis:  para prevenir a masturbação noturna.  (usado no Reino Unido, 1880-1920)


Instrumentos de autópsia da Morgue de Coimbra, incluindo serra dupla, curva, para cortes da coluna vertebral - Morgue de Coimbra - 1899/1918. Foto: INML, IP


Instrumentos de autópsia do Instituto de Medicina Legal de Coimbra - aproximadamente 1920/1930.
Foto: INML, IP


 Seringa francesa de bronze do século XVII.


 Seringa do Sri Lanka de marfim com enema do século XVII.


Seringa de enema japonesa do século XIX de autoadministração com pistão e reservatório.


Capacetes “Jedi”: eram usados ​​em conjunto com aparelhos de ressonância magnética para investigar o cérebro sem ter que abrir o crânio. A palavra “Jedi” foi usada para garantir que crianças o usassem sem reclamar muito.  (anos 1980)


 Utensílios e Mobiliário

Primeira cadeira de dentista-criada por Josiah Flagg nos Estados Unidos em 1790.


Cadeira de parto utilizada até meados do século 19.

Fonte: 

Awebic











*Fonte: Livro Pulmão de Aço, Uma Vida no Maior Hospital do Brasil – Eliana Zagui
*Foto: Bettmann/CORBIS/Corbis(DC/LatinStock)