sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Em 07/03 iniciará a 1 turma da Pós Graduação lato sensu em Análises Clínicas Animal no IPESSP


É com muita alegria que venho divulgar a confirmação da formação da 1ª Turma da Especialização em Análises Clínicas Animal, do IPESSP - Instituto de Pesquisa e Educação em Saúde de São Paulo, que iniciará suas aulas no próximo dia 07 de março. 

Conforme os posts mais antigos, desde 2013 este Blog debate a respeito da possibilidade de biólogos cursarem a Especialização em Análises Clínicas Animais, todavia, em todas as instituições as quais tentei fazer inscrição, minha matrícula foi sumariamente negada, embasada em Resoluções do CFMV completamente arbitrárias. Toda essa discussão pode ser lida acessando os arquivos do Blog.

E em um feliz momento, recebi a visita do então acadêmico de Ciências Biológicas Fernando César (o idealizador do site "Biológo: Profissional da Vida", e hoje colega Biólogo) e, através de seus comentários começamos um bate-papo, que virou um projeto, posteriormente apresentado ao IPESSP, e que foi abraçado com muito carinho. 

Qual o diferencial do curso: a oportunidade de admissão no corpo discente graduados de Ciências Biológicas, Biomedicina e Farmácia, além de Médicos Veterinários, além de ser uma especialização atualizada com as mais recentes metodologias, tecnologias e discussão de casos. 

Como bem disse o Fernando César: "VITÓRIA DOS BIÓLOGOS, que agora contam com uma especialização de qualidade em uma instituição nomeadamente especialista em Análises Clínicas!"

Quer saber mais informações sobre o curso, ou tem interesse em se matricular? Ainda dá tempo! Entre em contato através do telefone (11) 3539-5767 ou acesse o link: 


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Cartas de Berlim: uma alemã sozinha no Suriname em 1700

Por: Tamine Maklouf*
Há um tempo venho trabalhando em uma coleção de mulheres alemãs inspiradoras, só para o prazer do arquivo mesmo e para ajudar nas referências. Já tenho umas dezenas. É um hobbie que tenho, pois desde que comecei a “entender de Alemanha” me deparo com alguma mulher na história que fez alguma coisa incrível.
Fonte: http://www.zeit.de/2009/47/Vorbilder-Merian
Por exemplo: você é uma mulher de 56 anos, casada, mãe de duas filhas. Você é cientista com uma carreira consolidada, mas sente que sua missão é maior, quer buscar novos horizontes, talvez se embrenhar na floresta tropical. Você mora em Amsterdam e tem a ideia de passar uma temporada em uma pequena vila no Suriname, para intensificar suas pesquisas, sozinha, ou melhor dizendo, na companhia da sua filha mais nova. E dos índios, claro. O ano é 1700.
Como dizem na minha terra, “te mete!”
Ela se chama Maria Sibylla Merian e ontem mereceu um Doodle do Google em homenagem ao seu 366o aniversário, o que fez muitas pessoas lembrarem desta naturalista alemã ou então simplesmente vir a conhecê-la (como eu!).
Fonte: https://royaltecidos.squarespace.com/blog/242013
Nascida em Frankfurt em 1647, foi a primeira pessoa a observar e ilustrar cientificamente a metamorfose das borboletas. Sua obra mais famosa, a qual se dedicou inteiramente durante a temporada no Suriname, basicamente deu início à entomologia, ciência que estuda os insetos. Esta mulher à frente do seu tempo foi pioneira na observação sistemática destes serzinhos insignificantes (assim todos pensavam).
Fonte: http://microecos.tumblr.com/post/46952804699/genusspecies-by-maria-sibylla-merian-and
Antes da pequena revolução que Maria Sibylla causou no campo científico, acreditava-se que os insetos eram um erro, vinham de pântanos e nem se imaginava que as fascinantes borboletas tinham dupla identidade! Mas os resultados de suas observações mostraram que todas as borboletas já foram lagartas. Se isso não chocou a sociedade do século 18, eu não me chamo Tamine.
Fonte: http://www.nashturley.org/2013/03/23/pioneering-naturalist-maria-sibylla-merian/


Maria Sibylla Merian é tão importante para a história da Alemanha, que estampava a nota de 500 marcos alemães até 2002. Na verdade a ideia era colocá-la na nota de 100, usada mais frequentemente do que a de 500. Porém, escolheram uma outra alemã que julgavam mais “bonita”para ilustrar a nota que circularia mais: Clara Schumann. Mas sobre essa eu não vou falar hoje não.
 *Tamine Maklouf é jornalista e ilustradora nas horas vagas. Mora na Alemanha desde agosto de 2009, onde se encontra na “ponte terrestre” Dresden-Berlim. De lá, mantém o blog Anedotas da Batatolândia

Pele artificial criada por laboratório da USP evitará testes com animais no Brasil

A pesquisa, lançada na Universidade em 2005, é coordenada pela professora da Faculdade de Ciências Famarcêuticas da USP (Universidade de São Paulo) Sylvia Stuchi Maria-Engler e visa desenvolver técnicas alternativas à experimentação animal. Com a transferência tecnólogica do projeto para o governo brasileiro, parceria iniciada em 2013, o objetivo é que o país possa produzir a pele em escala industrial dentro de alguns anos.

Estruturas celulares da pele artificial, aumentadas em microscopio, foram desenvolvidas pela USP.
Fonte: http://www.portugues.rfi.fr/geral/20140507-pele-artificial-criada-por-laboratorio-da-usp-evitara-testes-com-animais-no-brasil
O objetivo do projeto, explica a especialista, é desenvolver o kit de pele artificial para o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. De acordo com ela, estão sendo feito pequenos "ajustes protocolares" antes que a transferência de tecnologia possa ser efetivada. A pesquisa utiliza fragmentos de pele de doadores humanos. As células são purificadas e são estocadas em um banco.

Se for necessário, explica Sílvia, a pele pode ser totalmente reconstruída –tanto o epitélio quanto a derme. A pesquisa poderá ajudar no desenvolvimento de novas moléculas usadas em medicamentos contra o câncer de pele ou feridas crônicas provocadas pelo diabetes, por exemplo. A estrutura de pele desenvolvida pela USP também pode ser usada para a fabricação de cosméticos.

De acordo com Sílvia, o banco de pele pode armazenar apenas células. "O que é possível manter em banco são as células da pele, que são os queratinócitos, o melanócito, que fornece o pigmento e os fibroblastos, que formam a derme", explica. A descoberta também contribuirá para a diminuição da utilização de animais em testes farmacológicos, como prevê a nova diretiva do Concea (Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal), esclarece a pesquisadora.

A polêmica voltou à tona no Brasil depois da ação de ativistas em um laboratório em São Roque, que liberaram dezenas de cães da raça Beagle utilizados em testes farmacêuticos.
"Tivemos a determinação de, nos próximos cinco anos, estabelecermos métodos alternativos, e não utilizar mais animais para cosméticos. O Concea foi além, determinando também o fim do teste em animais para produtos farmacêuticos."

Sílvia explica que, apesar dessa instrução, o uso de animais em testes para medicamentos continua sendo imprescindível. "O teste pré-clínico envolve testes in-vitro e in-vivo, que é um modelo animal, e muito utilizado. O que estamos fazendo nos testes alternativos é minimizar, reduzindo o número de animais e desenvolvendo um novo desenho experimental", diz.


Fiocruz desenvolve drogas alternativas e vacina contra a malária

Por: Alana Gandra
Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Stênio Ribeiro

O Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz) está desenvolvendo drogas alternativas que possam ser administradas junto com uma vacina contra a malária para aumentar a imunidade em relação à doença. Ainda não há, porém, perspectiva de quando a vacina ou as novas substâncias estarão disponíveis, disse ontem (25) à Agência Brasil o chefe do laboratório e presidente da Federação Internacional de Medicina Tropical e Malária, Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro.
Nesta sexta-feira celebra-se o Dia Mundial da Luta contra a Malária, data em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça a importância de se trabalhar para a eliminação da doença em todos os países. No momento, a Fiocruz está efetuando testes pré-químicos em animais próximos ao homem (primatas), mas ainda terão de ser feitas experimentações em humanos. “Acho que estamos chegando perto de termos uma vacina, em dez anos, que proteja completamente, e uma que proteja parcialmente, em cinco anos, ou até em três [anos]. As nossas [experiências] estão em um estágio menos adiantado”, manifestou o especialista.
Segundo Daniel-Ribeiro, o grande desafio para o Brasil, hoje, é eliminar a malária que mata, antes que ela se torne resistente às drogas disponíveis, procurando as pessoas infectadas em suas casas, como ocorria na década de 1950. Destacou, além disso, a necessidade de se “conscientizar a população e o pessoal da área de saúde que malária é um problema grave, de emergência médica, porque pode matar na área extra-amazônica”.
No país, a Amazônia concentra 99,6% dos casos de malária. Mas, graças ao diagnóstico imediato, os registros na região caíram 26% em um ano, passando de 241 mil casos, em 2012, para 177 mil, no ano seguinte. Daniel-Ribeiro explicou que quando o tratamento é feito nas primeiras 48 horas após a identificação da doença, diminui a chance de o paciente ficar muito doente e, eventualmente, morrer. Lembrou que 82% dos registros são causados por um parasita que não mata.
O tratamento atual utiliza uma associação medicamentosa que mata o parasita em poucas horas. Há boas ferramentas, disse o pesquisador, assegurando que está tentando desenvolver novas drogas, tendo em vista que 18% dos casos de malária se devem ao plasmódio (parasita da malária) que mata. Analisou como oportuna a decisão do milionário norte-americano Bill Gates, nos anos 2000, de investir recursos em pesquisas visando a erradicação da malária no mundo. A partir daí, os pesquisadores passaram a usar testes de diagnóstico rápido e mosquiteiros impregnados de inseticidas atóxicos. Além disso, passou-se a tratar a malária com uma associação de remédios e não apenas um único antibiótico.
O chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do IOC-Fiocruz acredita que os prefeitos “têm que investir no combate à malária. Têm que ser recompensados, se forem bem, e têm que ser punidos, se forem mal”. A malária, frisou, “tem que estar na agenda pública”.
Daniel-Ribeiro disse que, atualmente, 60% dos casos na Amazônia são tratados nas primeiras 48 horas. Os cerca de 4 mil postos de saúde da região estão preparados para fazer o diagnóstico imediato e o tratamento da população. Fora da Amazônia, incluindo as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, mais bem equipadas, somente 19% dos casos são tratados também nos dois primeiros dias da doença, porque não há um diagnóstico rápido. “Porque o médico daqui não pensa como qualquer [pessoa de] posto de saúde da Amazônia pensa. Aqui, nós não somos treinados para pensar em malária. O médico pensa que é dengue”. O resultado, indicou, é que quando a malária é diagnosticada e tratada na Amazônia, a pessoa tem 100 vezes menos chance de morrer do que fora da região.
Números divulgados pela assessoria de imprensa do IOC-Fiocruz mostram que a redução no número de mortes por malária atingiu 40% na Amazônia, entre 2012 e 2013, caindo de 60 para 36.
Daniel-Ribeiro informou que nos anos de 1940, a estimativa, feita em cima do número de casos febris, é que havia 4 milhões de casos da doença por ano no Brasil. “Tinha malária no Brasil inteiro”, observou. Na década seguinte, a Organização Mundial da Saúde (OMS) resolveu que era preciso erradicar a enfermidade no mundo por meio de duas estratégias básicas: busca ativa e tratamento dos casos, indo às casas das pessoas; e combate ao vetor. Com isso, de fato, eliminou-se a malária de vários lugares do globo, inclusive da região extra-amazônica, no Brasil, completou. “Chegou-se ao início dos anos de 1960 com 37 mil casos registrados. Talvez fosse o dobro ou o triplo”. Avaliou, porém, que em comparação aos 4 milhões anteriores, “foi uma enorme redução”.
Em 1970, os casos subiram para 70 mil. Com os programas de fomento à mineração e à agropecuária, implantados pelo regime militar, Daniel-Ribeiro sublinhou que “o homem, literalmente, invadiu a floresta”, ocupando a Amazônia, sem saber, cultural e imunologicamente, como se defender dessa infecção, que não conhecia. “Foi uma mortalidade enorme”. Antes da virada do ano 2000, chegou-se a 600 mil casos no Brasil. De lá para cá, seguiu-se no país o programa da OMS de diagnóstico, busca ativa e tratamento dos casos, com a implantação, na Amazônia, de postos com capacidade de fazer diagnóstico e tratamento gratuitos.
O pesquisador do IOC-Fiocruz chefia um grupo de pesquisadores que é referência para o Ministério da Saúde em malária fora da Amazônia. Segundo expôs, o problema fora da região amazônica é só de vigiar, porque “tem muita gente que viaja, tem até mosquito que viaja, e eu preciso tomar cuidado, porque um caso aqui pode acarretar uma epidemia de dez e até de 100 pessoas. Tem que tomar cuidado para não reintroduzir a malária em lugares onde ela não existe mais”. Quase 90% dos casos registrados fora da Amazônia são importados, informou o pesquisador.

Fonte: Amazônia.org.br (publicada em 24 de abril de 2014)

Produção científica e lixo acadêmico no Brasil

Por: Rogério Cezar de Cerqueira Leite*


A resistência dos medíocres e a falta de coragem política das autoridades impedem o crescimento da ciência de alta qualidade no nosso país

Dois artigos publicados recentemente pela revista britânica "Nature", especializada em ciência, deixam o Brasil e, em especial, a comunidade acadêmica brasileira, profundamente envergonhados.
A "Nature" nos acusa, em primeiro lugar, de produzir mais lixo do que conhecimento em ciência. Nas revistas mais severas quanto à qualidade de ciência, selecionadas como de excelência pelo periódico, cientistas brasileiros preenchem apenas 1% das publicações.
Quando se incluem revistas menos qualificadas, porém, ainda incluídas dentre as indexadas, o Brasil se responsabiliza por 2,5%. O que a "Nature" generosamente omite são as publicações em revistas não indexadas, que contêm número significativo de publicações brasileiras, um verdadeiro lixo acadêmico.
O segundo golpe humilhante para a ciência brasileira exposto pela revista se refere à eficiência no uso de recursos aplicados à pesquisa. Dentre 53 países analisados, o Brasil está em 50º lugar. Melhor apenas que Egito, Turquia e Malásia.
Tomemos um exemplo. O Brasil publicou 670 artigos em revistas de grande prestígio, enquanto no mesmo período o Chile publicou 717, nessas mesmas revistas. O dado profundamente inquietante é que enquanto o Brasil despendeu em ciência US$ 30 bilhões, o Chile gastou apenas US$ 2 bilhões.
Quer dizer, o Chile, que aliás não está entre os primeiros em eficiência no mundo científico, é 15 vezes mais eficiente que o Brasil. Alguma coisa está errada, profundamente errada. A academia brasileira, isto é, universidades e institutos de pesquisas produzem mais pesquisa de baixa do que de boa qualidade e as produz a custos muito elevados. Há certamente causas, talvez muitas, para essa inadequação.
A primeira decorre de um "distributivismo" demagógico. É evidente que seria desejável que novos centros de pesquisas se desenvolvessem em regiões ainda não desenvolvidas do país. Mas é um erro crasso esperar que uma atividade de pesquisas qualquer venha a desenvolver economicamente uma região sem cultura adequada para conviver com essa pesquisa.
Seria desejável que investimentos maciços fossem aplicados em pesquisas em instituições localizadas em regiões pouco desenvolvidas, mas cujo meio ambiente é capaz de absorver os benefícios dessa inserção.
O segundo mal que é causa inquestionável da diminuta e dispendiosa produção de conhecimento é o obsoleto regime de trabalho que regula a mão de obra do setor de pesquisas em universidades públicas e na maioria dos institutos.
O pesquisador faz um concurso --frequentemente falsificado-- no começo de sua carreira. Torna-se vitalício. Quase sempre não precisa trabalhar para ter aumento de salário e galgar postos em sua carreira. Ora, qual seria, então, a motivação para fazer pesquisas?
O terceiro problema é o sistema de gestão de universidades públicas e instituições de pesquisa, cuja burocracia soterra qualquer iniciativa dos poucos bem-intencionados professores e pesquisadores que ainda não esmoreceram.
Pois bem. Há uma fórmula que evita todos esses males e que já foi experimentada com sucesso em algumas das instituições científicas do Brasil: a organização social. A resistência dos medíocres e parasitas e a falta de coragem política de algumas de nossas autoridades impedem a solução desse problema.

Fonte: Folha UOL

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Animais marinhos: o que fazer quando encontrar um fora de seu habitat?

Na última semana de janeiro de 2014, li em um grupo do Facebook um pedido de auxílio para destinação de um pinguim que foi encontrado no quintal de uma moradora da cidade de Itanhaém (litoral sul do estado de SP). A publicação informava que o animal estava há mais de 24 horas no local, muito embora uma solicitação de resgate ao Aquário de Santos já tivesse sido feita no dia anterior, e, até então, ninguém havia comparecido para que fosse providenciada sua retirada.

Fonte: divulgação em rede social (Facebook) / arquivo pessoal 

Quando temos o conhecimento de uma notícia como essa, a primeira impressão é que se trata de mais um caso de DESÍDIA dos órgãos públicos, já que o Aquário Municipal de Santos é subordinado ao Departamento de Parques da Secretaria Municipal de Turismo da cidade de Santos (SP). No entanto, investigando um pouco mais sobre a competência e atribuições do Aquário, foi constatado que o mesmo não realiza resgate de animais fora do município de Santos, pois há uma impedição legal para que atue no resgate de animais  que estejam em outra cidade. Sendo assim, nesse caso o dever legal de resgatar o pinguim seria da Polícia Militar Ambiental, Secretaria Estadual de Meio Ambiente e IBAMA, portanto, todas as solicitações de auxílio em casos semelhantes devem ser direcionadas a esses órgãos. 

Como na época não consegui o contato com a moradora que tinha o pinguim em seus cuidados, não há como saber sua versão dos fatos e a razão que a motivou em publicar essa denúncia infundada. Porém, o que se soube através dos funcionários do Aquário de Santos é que foi informado à munícipe sobre a impossibilidade de buscarem o animal visto que SOMENTE a Polícia Militar Ambiental estaria autorizada a manejar animais silvestres encontrados na natureza. Portanto, todo desdobramento posterior à postagem feita pela denunciante foi devido à informações incongruentes e desencontradas.

A atitude da moradora de Itanhaém acarretou uma grande confusão envolvendo o nome da instituição, maculando o trabalho e dedicação dos funcionários do Aquário de Santos, algo realmente desnecessário e que, de fato, não resolveu sua situação. 

Como a denunciante fez a publicação em um grupo do Facebook é impossível mensurar o número de pessoas que as potagem alcançou, ou seja, é possível que a falsa informação tenha atingido centenas, milhares de pessoas. Tratando-se de uma inverdade, pois estando legalmente impedido de resgatar animais fora de seu limite territorial, é fato que o Aquário de Santos não informou à moradora de Itanhaém que resgataria o animal em seu poder, e assim, a denunciante correu o risco de responder criminalmente por difamação. 

Devemos ficar muito atentos com denúncias divulgadas em redes sociais, tanto no que se refere à sua postagem direta, como quando compartilhamos esse tipo de notícia. Nesse caso em especial a realidade dos fatos foi nitidamente distorcida a fim de que a situação da moradora de Itanhaém fosse resolvida da forma mais rápida possível, e embora tenha conseguido destinar corretamente o animal alguns dias depois, se a publicidade do fato houvesse sido feita de uma outra maneira atingiria o mesmo fim e nenhuma instituição / profissionais seriam injustamente culpados por ineficiência e desídia. 


Mas... o que realmente aconteceu com o pinguim?
Trata-se o animal em questão de um pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus), espécie característica de águas temperadas e de climas frios (entre 15C e abaixo de zero), que habita as zonas costeiras da Argentina, Chile, Patagônia e Ilhas Malvinas, e devido à migração, muitas vezes é encontrado na costa brasileira.

Fonte: www.ninha.bio.br

Primeiramente esse pinguim foi resgatado na praia de Campos Elísios, em Itanhaém, no litoral de São Paulo e posteriormente levado para alto mar pelos bombeiros, mas 15 minutos depois acabou retornando para a faixa de areia, chamando a atenção dos banhistas. Preocupada com o estado de saúde do animal, uma senhora considerou por bem acolhê-lo em sua residência e o alojou numa piscina de plástico, com pouca quantidade de água.

Posteriormente à denúncia feita em redes sociais anteriormente relatada, o pinguim foi resgatado pela Polícia Militar Ambiental, que o encaminhou para o Aquário Municipal de Peruíbe, uma cidade mais próxima de Itanhaém, também localizada no litoral sul paulista. O animal se encontrava parcialmente debilitado, e recebeu os primeiros atendimentos da equipe de biólogos e veterinários, que incluíram a aplicação do soro, antibiótico e uma alimentação adequada.

Ao examinarem o animal, os profissionais verificaram que o pinguim possuía uma anilha em sua nadadeira e através dela, puderam saber um pouco de sua história: no dia 17 de janeiro deste ano foi realizada a soltura de 37 animais reabilitados pelo Instituto Argonauta de Ubatuba, sendo que deste total, três deles já foram encontrados em praias da região.

O biólogo do Aquário de Peruíbe, Thiago Augusto Nascimento, destaca que é comum a presença dessa espécie de pinguins na costa brasileira, especialmente no litoral paulista. “Os pinguins recém-nascidos recebem alimentos do pai e da mãe nos primeiros três meses de vida. Após esse período, o filhote sai para caçar o seu próprio alimento, que é uma anchoveta, semelhante à uma sardinha, e em alguns casos acaba se perdendo do grupo familiar até chegar a outros lugares”, diz.
Após os primeiros procedimentos de tratamento, o pinguim foi transferido na manhã do dia 23/01/2014  para o Aquário Municipal de Santos, no litoral de São Paulo, onde foi dada a continuidade ao trabalho de reabilitação do animal.
Fonte: divulgação em rede social (Facebook) / arquivo pessoal 

O biólogo responsável pelo Aquário de Peruíbe, Thiago Nascimento, deixou a seguinte mensagem no pedido de auxílio postado no Facebook: 

"Recebemos nesta tarde no Aquário de Peruíbe este pinguim que foi resgatado por você. Observamos que o animal possui uma anilha de identificação, demostrando que o mesmo já foi resgatado por outra instituição. Nossa veterinária Anna Carolina Nascimento realizou os primeiros atendimentos ao animal, que aparentemente está cansado, provavelmente devido às altas temperaturas nesta época do ano. Contatamos os profissionais responsáveis pela soltura deste animal na cidade de Ubatuba no dia 17/01/2014 e fomos informados que, além dele, já foram encontrados outros exemplares em São Sebastião e em Santos. Como já havíamos comentado, o Aquário Municipal de Santos possui esta espécie e o tipo de quarentena especializada para pinguins; portanto, amanhã o animal será transferido para lá pela viatura da Policia Militar Ambiental. Gostaríamos de salientar que realizamos a reabilitação de pinguins quando eles aparecem no inverno (época comum que ocorre aparecimento de animais em nossas praias), porém mantê-los aqui no Aquário de Peruíbe no verão é muito difícil por conta do calor.
Muito obrigado e estamos à disposição. 
Atenciosamente, biólogo responsável pelo Aquário de Peruíbe".


Pinguim foi atendido no Aquário Municipal de Peruíbe, SP 
Foto: Divulgação / Prefeitura de Peruíbe


O que fazer ao encontrar um pinguim?
IPRAM - Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos é uma associação civil sem fins lucrativos que, dentre suas principais atividades, realiza a reabilitação de pinguins, trabalhando em conjunto com entidades governamentais nas esferas federal e estadual. Em sua página na internet há orientações para a população que encontrar um pinguim:

1. O pinguim está nadando na praia
Caso você veja um pinguim nadando próximo à praia, fugindo das pessoas, nadando entre os barcos, ativo e esperto; não tente capturá-lo, deixe-o livre. Ele ainda está saudável, não necessita ser resgatado e você pode se ferir na tentativa. O pinguim só deve ser capturado em caso de encalhe. Afaste-se para permitir que ele venha para a praia caso esteja debilitado; do contrário ele vai ficar com medo e não vai sair da água.

2. O pinguim já foi capturado!
Se pinguim estiver fraco, boiando próximo às pessoas, “capotando” nas ondas, sendo jogado contra as pedras, ou cansado na areia da praia, ele provavelmente será capturado por banhistas e curiosos.
Guarde-o em uma caixa de papelão forrada com jornal ou pano, mantenha-o SECO e AQUECIDO, e afastado dos curiosos. Se possível, próximo a uma lâmpada incandescente para ajudar no aquecimento, ou garrafas contendo água aquecida. Se esses cuidados não forem tomados, ele poderá morrer. Não o molhe, nem o coloque para nadar. Não tente alimentá-lo, não o manipule e não deixe que crianças encostem nele.

Fonte: http://ipram-es.blogspot.com.br/2010/07/como-ajudar-o-pinguim.html 

3. Por que não devo colocá-lo no frio?
Os pinguins de Magalhães não vivem no gelo da Antártida; eles são originários da Patagônia, no extremo sul do nosso continente, e possuem temperatura corporal entre 38,5 e 41ºC. Em nosso país eles chegam cansados, desnutridos e com frio, pois esgotaram suas reservas energéticas. Pessoas bem intencionadas que colocam pinguins em locais frios os levam a óbito por hipotermia.

4. Por que não devo molhar o pinguim?
Não molhe o pinguim. Ele perdeu a sua capacidade de isolamento térmico e impermeabilidade. Se você o molhar ele continuará encharcado e com frio, podendo morrer.

5. O pinguim está com o corpo manchado por óleo!
Use algum tecido para manipular o pinguim. Não use luvas de borracha ou látex. Não deixe o óleo entrar em contato com sua pele. Não tente remover o óleo em hipótese alguma. Mantenha-o em ambiente seco, aguardando o resgate.

6. Devo dar comida para o pinguim?
Não. No primeiro contato eles costumam ter medo dos humanos, e a tentativa pode estressá-los ainda mais. Além disso os espinhos de um peixe mal posicionado ou de uma espécie errada pode lesionar a boca. Ele devem ser alimentados por uma equipe capacitada.

7. Como devo transportar o pinguim?
Caso seja extremamente necessário, quem for transportar o pinguim em algum veículo não deve colocá-lo no porta malas ou em compartimentos abafados, pois ele morrerá no calor excessivo. Transporte o pingüim como você transportaria uma criança, pois ele também precisa de ventilação e temperatura amenas. Leve-o de preferência dentro de uma caixa aberta, no banco dos passageiros. Atenção com as fezes, que podem atravessar o fundo de caixas de papelão. Transporte-o apenas se for a última opção, e em trajetos curtos, até entregar à autoridade competente, pois é necessário possuir uma licença específica para capturar e transportar animais selvagens.

8. Para onde levar o pinguim?
Informe os órgãos ambientais locais sobre o encalhe do pinguim. Eles irão encaminhá-lo ao local apropriado e autorizado mais próximo ao seu município, ou irão acionar os responsáveis pelo recolhimento. É importante lembrar que o encalhe de pinguins mortos também pode ser comunicado aos órgãos oficiais, pois a análise desses dados colabora para a investigação do fenômeno.

Porém, vale ressaltar as informações fornecidas pelo Gremar Resgate E Reabilitação: "O aquário de Santos não faz resgate, nesse caso o melhor a ser feito é levar o animal para um posto de Guarda- vidas, Policia Militar Ambiental ou ligar no nosso numero de resgate 13 78070948 e nunca levar para casa". 

Zoonoses: o Pinguim-de-Magalhães e a Aspergilose 
Já foram relatados casos de transmissão de fungos do gênero Aspergillus a seres humanos onde os hospedeiros eram pinguins-de-magalhães. A transmissão mais comum ocorre por vias aéreas, em lugares fechados e mais ocorrente em indivíduos com imunidade reduzida / imunossuprimidos. Portanto, é importante evitar ao máximo evitar a permanência com esses animais em lugares fechados e seu transporte em veículos particulares, em virtude do perigo do contágio.

Infelizmente a comunidade médica ainda possui bastante dificuldade em diagnosticar casos de zoonoses e com a aspergilose não é diferente: os sintomas são frequentemente associados à uma forte gripe ou pneumonia, e assim, com o tratamento inadequado (ao invés de serem ministrados antifúngicos, são receitados antibióticos e xaropes expectorantes), a doença pode evoluir levando o paciente à óbito.

O resumo do artigo intitulado "Aspergilose em Pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus)"* descreve a evolução de um caso da doença em um animal que se encontrava em reabilitação em um Centro de Recuperação de Animais Marinhos no Rio Grande do Sul:

"A aspergilose é causada por fungos do gênero Aspergillus, acometendo principalmente o trato respiratório. O trabalho relata um caso de aspergilose em um pingüim-de-Magalhães em reabilitação no Centro de Recuperação de Animais Marinhos (CRAM) de Rio Grande (RS, Brasil). A ave foi encaminhada ao CRAM debilitada, permanecendo em cativeiro durante 28 dias. Devido à gravidade do quadro clínico, o animal foi submetido à eutanásia e necropsia, quando foram observados nódulos branco-amarelados nos pulmões e siringe, e colônias fúngicas nos sacos aéreos, fígado e rins. O diagnóstico de aspergilose por Aspergillus fumigatus foi confirmado por exame micológico e histopatológico. Este relato alerta para a importância da aspergilose como fator limitante na reabilitação de pingüins".


Já o artigo intitulado "Alterações Clínicas e Patológicas da Aspergilose em Pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus)"**, relata em seu resumo:

"Uma série de 15 casos fatais de aspergilose em pinguins (Spheniscus magellanicus) foi observada durante um período de quatro anos em um centro de reabilitação no Sul do Brasil. Os achados clínicos e patológicos das lesões encontradas na necropsia são aqui descritos. A maioria dos animais (11/15) teve morte súbita sem evidenciar sinal clínico prévio. Em 33,3% (5/15) dos casos, aspergilose estava restrita ao trato respiratório e 66,6% demonstrou doença disseminada, com envolvimento hepático, renal, de glândulas adrenais e trato gastrointestinal. Lesões típicas se caracterizaram por nódulos granulomatosos branco-amarelados. De acordo com a literatura consultada, essa é a maior série de casos de aspergilose descrita em pinguins na América do Sul.

                   Fonte: http://www.revistas.ufg.br/index.php/vet/article/view/4014/9707

Conforme relata o capítulo 5, intitulado "Aspergilose: do diagnóstico ao tratamento" do curso de Micoses de publicado no Jornal de Pneumologia***:

"A aspergilose é uma doença multifacetada cujas manifestações clínicas são determinadas pela resposta imune do hospedeiro; podem se apresentar de forma alérgica, saprofítica ou invasiva".  
"Aspergillus spp. é um fungo de distribuição universal na natureza, cuja fonte de contágio mais comum é a via aérea, e que emergiu como causa de infecção grave com risco de vida em pacientes imunodeprimidos". "Historicamente, o A. fumigatus é o agente mais comum das várias formas de manifestação da aspergilose".

                                              Aspergullus fumigatus: fungo frequentemente associado à aspergilose pulmonar.
                                                 Fonte: http://www.alunosonline.com.br/biologia/aspergilose-pulmonar.html

É muito comum que particulares, ao se depararem com animais silvestres com dificuldades, tendam a auxiliá-los levando-os para sua residência e, ainda, tratando-os como verdadeiros "pets". No caso da aspergilose, macroscopicamente não há como se afirmar que o animal está infectado, portanto, ao manejar um animal silvestre (principalmente aves), tome os seguintes cuidados:

- ao encontrar um animal silvestre, não o mantenha em lugares fechados, protegidos da ação de chuvas e raios solares, pois essas condições tendem a aumentar a disseminação do Aspergillus;

- se houver extrema necessidade em manter um animal silvestre sob seus cuidados até a entrega ao órgão competente, ao limpar a caixa / gaiola onde o mesmo está proteja a região do nariz e boca com um pano ou máscara cirúrgica; 

- não transporte animais em veículos particulares, e se realmente for necessário, mantenha janelas abertas para diminuir o risco de contágio por vias aéreas;

-  se após o contato com um animal silvestre você apresentar os sintomas da Aspergilose (tosse, febre, dor no tórax, expectoração purulenta, falta de apetite e emagrecimento muito rápido), procure imediatamente um centro médico e relate o ocorrido e sua suspeita. O diagnóstico confirmatório se dá por meio de tomografia tomografia computadorizada de tórax, análise de culturas do escarro do paciente ou pela detecção da presença do fungo nos brônquios e/ou pulmão, geralmente por meio de biópsia. Em São Paulo o Hospital Emílio Ribas é referência no diagnóstico e tratamento de enfermidades ocasionadas por fungos.


Fontes: 

- Aquário de Santos (SP)
http://www.vivasantos.com.br/aquario/info/main.htm

- *Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP
http://www.fmvz.unesp.br/rvz/index.php/rvz/article/view/506

- Gremar (Guarujá - SP)
http://www.gremar.org.br/

- ***Jornal de Pneumologia
http://www.jornaldepneumologia.com.br/detalhe_artigo.asp?id=527

- IPRAM (ES)
http://ipram-es.blogspot.com.br/2010/10/amigos-dos-pinguins.html
Telefone: (27) 3286 0135
Plantão 24h: (27) 9 9865 6975
E-mail: contato@ipram-es.org.br

- **Revista UFG
http://www.revistas.ufg.br/index.php/vet/article/view/4014/9707

http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2014/01/pinguim-e-resgatado-volta-para-areia-e-e-acolhido-por-mulher-em-casa.html

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Pesquisa mostra como braço de dinossauros evoluiu para asa de aves

Descoberta encerra longo debate sobre a evolução dos punhos dos dinossauros

Archaeopteryx, espécie intermediária entre os dinossauros e as aves (Dorling Kindersley/Getty Images/VEJA)

Usando uma técnica inovadora desenvolvida por um estudante brasileiro, pesquisadores da Universidade do Chile encerraram uma longa controvérsia científica e desvendaram como os braços dos dinossauros evoluíram para asas em aves. Embora se saiba que as aves evoluíram a partir dos dinossauros, uma adaptação crucial para o voo continuava a intrigar biólogos evolutivos. Ao longo de milhões de anos, os punhos dos dinossauros ficaram mais curvos e flexíveis, evoluindo até que as aves pudessem dobrar as asas quando não estão voando.
A maneira como isso aconteceu, no entanto, sempre foi tema de debates longos e acalorados, com discordâncias substanciais entre biólogos do desenvolvimento — que estudam os embriões das aves em crescimento — e paleontólogos, que estudam os fósseis de dinossauros. Dos nove ossos dos punhos dos dinossauros, restaram apenas quatro nos pulsos das aves no curso da evolução. Para os cientistas, essa redução foi central na transformação evolutiva que levou ao surgimento das asas. Mas biólogos do desenvolvimento e paleontólogos discordavam quanto à correspondência entre ossos específicos de dinossauros e de seus descendentes emplumados.
O novo estudo, publicado no periódico PLOS Biology, supera o impasse. A equipe coordenada por Alexander Vargas, da Universidade do Chile, reexaminou diferentes fósseis de répteis provenientes de coleções de museus de vários países e analisou embriões de sete diferentes espécies de aves modernas.
Inovação — Para comparar os dados, os cientistas tiveram de superar um obstáculo. Os marcadores fluorescentes, usados para observar o conjunto de ossos dos punhos das aves, não se mostraram eficientes, porque os esqueletos dos embriões são predominantemente feitos de cartilagem, tecido pouco permeável e recoberto por pele e músculos. Para contornar o empecilho, o estudante brasileiro João Francisco Botelho, coautor do artigo, desenvolveu uma nova técnica que permitiu estudar os esqueletos embrionários.
"A técnica que introduzi permitiu aumentar a penetração dos reagentes e a transparência do tecido. Assim, aplicando marcadores de diferentes proteínas produzidas na cartilagem precoce, foi possível acompanhar em detalhes o desenvolvimento dos ossos no pulso das aves", declarou Botelho.
Combinando dados inéditos sobre as transformações nos esqueletos dos embriões às informações obtidas na extensa pesquisa com fósseis de dinossauros especialmente bem conservados, os cientistas deram um passo crucial para desvendar como evoluíram os punhos das aves. "O cruzamento dos dados permitiu compreender a complexa história evolutiva de fusões, perdas e reaparições dos ossos do punho durante a transição dos dinossauros para as aves", disse Botelho.
Confirmação — Uma das controvérsias mais emblemáticas solucionadas pelo estudo tem relação com o chamado osso semilunar. Na década de 1970, John Ostrom, da Universidade Yale, levantou a hipótese de que os pulsos de aves e dos dinossauros mais próximos delas tinham um osso muito similar, em forma de meia-lua - resultado da fusão de dois ossos presentes nos dinossauros. A partir dessa hipótese, Ostrom fundamentou o argumento, na época controverso, de que as aves descendiam de dinossauros. No entanto, os biólogos do desenvolvimento fracassaram para confirmar essa hipótese, o que levantou dúvidas até mesmo sobre se as aves vieram mesmo dos dinossauros.
Os novos dados obtidos pelo laboratório de Alexander Vargas revelaram a primeira evidência na biologia do desenvolvimento de que o semilunar das aves era formado de fato da fusão de dois ossos de dinossauros. "Víamos claramente que o semilunar — que funciona como uma polia e é importante para o voo — era resultado de uma fusão de dois ossos dos dinossauros. Mas só com a nova técnica de marcadores de cartilagem pudemos demonstrar esse fato, reafirmando o parentesco entre aves e dinossauros", disse Botelho.