segunda-feira, 6 de maio de 2013

"Tatuzão" extinto há 10 mil anos viveu na Serra da Gandarela

Por Carlos Calaes
 
 
Uma paleotoca, buraco onde tatus gigantes se abrigavam há cerca de 10 mil anos, foi identificada pelo paleontólogo paulista Francisco Buchmann, da Unesp/São Vicente, na Serra da Gandarela, a pouco menos de 40 quilômetros de Belo Horizonte.

Os tatus gigantes viveram na América do Sul por milhões de anos e fazem parte da Megafauna Pleistocênica Sul-Americana. Esses animais chegavam a pesar 250 quilos, com vários gêneros e muitas espécies.

A descoberta do professor Buchmann, que identificou cerca de 500 paleotocas no Sul do país, aconteceu em março do ano passado. “Posso atestar que há, na Gandarela, pelo menos uma”, disse.


Pelo menos uma cavidade subterrânea (acima) existe sob a serra, segundo pesquisador


Exploração

O abrigo dos tatus gigantes fica na área onde, desde 27 de fevereiro de 2009, a mineradora Vale tenta instalar o Projeto Apolo. A empresa requereu licença prévia para mineração junto ao Conselho Consultivo da Área de Proteção Ambiental Sul (Apa-Sul) da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A paleoteca deu novo ânimo aos preservacionistas que pedem a criação do Parque Nacional da Gandarela. Eles acionaram o Ministério Público e a concessão do licenciamento foi travada.

Segundo o Movimento Pró-Gandarela, a Vale teria comunicado ao conselho a intenção de realizar sondagens para obter amostras minerais em dois locais. A proposta da empresa seria retirar 16.500 toneladas do “ponto 1” e 19.200 toneladas do “ponto 2”. O material seria levado em caminhões para a Mina de Brucutu, onde passaria por um teste industrial.

A Vale confirmou que fez estudos espeleológicos na região da Serra da Gandarela. As cavidades naturais subterrâneas identificadas, segundo a mineradora, foram classificadas conforme estabelecido pela Instrução Normativa 2/2009.

A Vale afirma que as cavidades de “máxima relevância” serão integralmente preservadas, atendendo à legislação vigente. Todos os estudos técnicos elaborados foram protocolados nos órgãos ambientais competentes (Supram e Ibama), que teriam realizado várias vistorias na área do empreendimento, inclusive nas cavidades subterrâneas.
Fonte: R7 - Hoje em Dia

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